Tinhas o mundo todo dentro de ti
abrias os braços e o vento soprava
eu abria os meus e o sol brilhava
tu eras um corpo, eu era só espírito
fazíamos o mar ondular e as nuvens chorar.
Eu tinha o mundo todo dentro de mim
abria a boca e soltava flores e borboletas
tu abrias os olhos e via-se o céu e as florestas.
Em cada um de nós toda a gente
todos os males, todos os bens, todos os sens,
qualquer possibilidade e nenhuma.
Do avesso o vácuo, a ausência, pedras paradas,
árvores tombadas, pássaros perdidos e feridos,
o mar revolto, o rio seco, tudo inerte,
um mundo todo que se perde e foge entre dedos
que nenhum corpo arrasta nem o espírito alcança.