Olá blogue.
Voltei. Vou precisar de ti outra vez.
Hoje é outro primeiro dia de outro ciclo. Estou outra vez em pedaços. Outra vez. E vou ter de os voltar a juntar. Outra vez.
“Situação provisória”. Era essa a condição para as coisas estarem como estavam. Na mesma casa, teoricamente. Na prática uma triangulação que me incomodava porque não era ausência nem presença. Não era separação mas havia sempre saudade. Havia sempre reencontro, sempre uma energia enorme, umas vezes má, outras boas. Nunca indiferença, nunca o vazio.
Pressionei. Achava que tinha de pressionar, achava que não era certo manter as coisas como estavam. Anteontem pressionei mais. Ontem deixei claro o meu desconforto. Hoje tive a reacção.
Saiu. Sentiu que me esgotei, que já não estava confortável com a sua presença, mas também que ele próprio tem de ter espaço e vida. Quis dizer-mo pessoalmente. Pediu-me que nos encontrássemos. Sim, claro que sim. Pela primeira vez abri o meu coração. Não deixei por dizer o que sentia. Muitas coisas, muita dor, muita frustração. Fez-me prometer que me ia lembrar das coisas boas. Que ia pensar positivo. Que ia ser feliz. Que nunca me ia sentir sozinha. Que ele estava sempre comigo. Prometi. Ele também. Que vai cuidar dele. Que vai aguentar. Que mesmo não sabendo o que o futuro lhe reserva nunca vai esmorecer. Vamos manter a promessa que fizemos de comum acordo e por sugestão dele. Jantamos juntos, sempre que possível, no último domingo de cada mês. E enquanto chorávamos rasgámos um sorriso cheio de alegria por sabermos os dois que enquanto quisermos isto vai mesmo acontecer. Ainda somos muito. Ainda somos mais do que muitos são. Tantos meses depois ainda nos sai das bocas um “gosto muito de ti” em exacta sincronia. E ainda nos rimos com isto.
Outra vez o medo de perder alguma coisa que já não era nada. Por outro lado uma clara sensação de se estar a desenhar outro caminho. Outra sinceridade, outra união, outro esforço, outra visão sobre nós e os outros.
Ninguém é capaz de explicar a ligação que existe entre (estas) duas almas. Neste momento nem eu própria. A única coisa que sei é que o destino existe e que não há forma de lhe escapar. Não pode haver outra explicação, ou eu não estaria aqui. Estaria com uma das minhas amigas, que por acaso hoje – apenas hoje, em nenhum dos outros dias – têm outros encontros, outras vidas. Estaria a “chat”ear o meu irmão que hoje não está online. Podia ligar à minha mãe, mas ela fez tudo o que podia por mim no verão. Não sabe fazer mais. Não pode. A mãe que eu tive no verão foi um luxo que pouca gente alguma vez terá.
Hoje era suposto eu chegar a casa e vê-la vazia – mesmo que isso seja o que na realidade encontro sempre. Mas hoje falta-lhe aquela outra parte de mim que quero tão longe como quero perto. Era suposto sentar-me no sofá a chorar, a pensar mais uma vez em tudo, repetir para mim mesma aquilo que lhe disse há pouco, a ouvir na minha cabeça as palavras cada vez mais fragilizadas e despidas de arrogância que ele me disse. Tinha de estar aqui onde estou, a chorar comigo e a vê-lo ainda a chorar como vi há pouco. A pensar no que nos dissémos e no que nos prometemos, e na forma como tudo ainda entre nós é sincronia e sintonia. Tudo. E pensar em como este tudo não é já nada que consiga manter-nos juntos. Sei tão bem como ele que não estamos felizes mas a vida tem de seguir. Mesmo que pareça difícil.
Tinha de recuperar-te, de voltar a usar-te para me reencontrar, como sempre faço quando escrevo. Aqui estou. E pelos vistos vou voltar.
A irmã dele teve o segundo bébé na sexta-feira. É uma menina. O irmão ainda só tem 15 meses. Pelos vistos a vida é assim. Continua(-se).
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