A nossa vida começou na praia. Vivemos durante 3 meses numa tenda montada num pinhal perto da praia. Estávamos de dia e de noite um com o outro. Ainda hoje falamos – falávamos – disso.
A praia tem por isso uma carga muito simbólica nesta relação. Durante vários anos fui sempre para a praia com ele. Sempre que podia.
Acontece que ele faz bodyboard e passa imenso tempo no mar. Se calhar nem é tanto tempo assim, mas parece-me…
Nos últimos anos, mesmo que pudesse não ia. Deixer de gostar de estar na praia. Deixei de gostar de ficar sozinha na toalha enquanto ele está no mar.
Este ano, em Maio, ainda antes de começar a época balnear, e depois de termos declarado “paz” e prometido mudanças na nossa relação na noite de 25 de Abril, decidimos ir para a praia os dois num Domingo de manhã. A manhã não começou bem por várias razões, mas o dia estava bom e acabámos por ficar bem dispostos.
Nesse dia ele disse-me que se fossemos para a praia os dois ao fim de semana ele até abdicaria, ao fim-de-semana, de um biscate que tem (também na praia). Faria apenas durante a semana e ao fim de semana, e assim, sempre que pudessemos íamos para a praia os dois.
Minha resposta inteligente: “não sei se vale a pena. para quê? quanto tempo estiveste aqui ao pé de mim?”
É tão estranho. Sempre que nos chateávamos e discutíamos porque ele não estava comigo quando eu queria que estivesse, ou quando eu achava que devia estar em casa porque sim, ele dizia-me que eu só me focava nisso em vez de aproveitar o tempo que estamos juntos. Ou seja, quando estávamos os dois juntos eu acabava por criar uma discussão em torno do tempo que ele estava ausente em vez de aproveitar o tempo que estava presente.
Agora que ele anda por aí, faz o que quer e chega às horas que quer, quaisquer 10 minutos ao pé dele são preciosos.
Eu devo realmente ter um problema.
É como a casa. Passava a vida a chatear-me e a chateá-lo porque as coisas nunca estavam arrumadas, porque a casa estava sempre um caos, casacos por aqui, meias por ali, toalhas de banho molhadas onde não deviam.
Agora que separámos quartos, roupas, casas de banho, mantem-se tudo razoavelmente arrumado. Ele ainda se esquece de umas coisas por aqui e por ali. Mas agora penso “Que importa? Para que é que quero uma casa arrumada se estou aqui sozinha?