cidades

29 06 2009

Na sequência do post anterior, quero deixar aqui uma nota.

Como estávamos numa esplanada vi Lisboa anoitecer. Lisboa tem um anoitecer feio. Há ali uma hora em que se despe da vida e renasce em miséria. Sem-abrigo, indigentes, loucos e pessoas abandonadas. Depois de sair do metro fiz caminho do costume para o  terminal de autocarros. Até nesse caminho, que me é tão familiar como o interior da minha mala, o cair da noite soou diferente.

Depois o inverso. A minha cidade. O sítio que me está na pele. Onde anoitece como amanhece, pelo menos aos meus olhos. Onde as esquinas são seguras, onde as sombras são certamente de alguém que conhecemos. Esta cidade é minha, pertence-me.

As cidades serão talvez como as pessoas. Por mais que as conheçamos elas têm de nos estar na pele para que nos sintamos confortáveis na sua companhia.





boa surpresa

29 06 2009

A vida tem destas coisas. Fecha umas portas para abrir outras.

Ontem encontrei no Facebook uma grande amiga de liceu que não via há uns 8 anos. Foi viver para Londres e perdi todos os contactos dela. Não sabia se estava viva ou morta. Está viva, feliz e bonita como sempre.

Hoje recebi a mais inesperada das visitas. Um dos meus amigos da residência de estudantes onde vivi há uns 11 anos atrás foi visitar-me ao trabalho. Fiquei até emocionada (o que nos últimos dias não é difícil). Geralmente éramos sempre quatro quando saíamos: eu, a S., o J. e o P. Mas a festa ficava sempre mais divertida quando aparecia o M.

Esteve nos últimos 8 anos a viver em Londres (está toda a gente em Londres???), chegou a encontrar-se lá com o J. e foi mantendo contacto com o P. e com a S.

Durante uns tempos ainda mantive contacto com ele por e-mail mas depois perdi-lhe completamente o norte. Hoje apareceu-me lá, igual a ele próprio. Estava de passagem por Lisboa e tinha combinado com um pessoal da turma dele de licenciatura ir beber uma cerveja e comer uns tremoços ali perto depois do expediente. Perguntou-me se queria ir. Ainda hesitei, mas como ultimamente – infelizmente - não tenho ninguém em casa à minha espera, decidi aceitar. Acabou por ser porreiro. Conversas diferentes, pessoas diferentes. Com ele está-se sempre em boa companhia. Até já me tinha esquecido. Serenidade e bom-humor com fartura. Às 9 e pouco lá foi para a estação do Oriente apanhar o intercidades para o Porto. Deve ter uma comitiva à espera dele. Trocámos contactos. Ele vai ficar no Porto até Setembro e depois regressa para Londres. Pode ser que ainda nos encontremos. Era um bom amigo ele.





bora lá jogar

28 06 2009

Mais um dia. Hoje estive com uma amiga que não via há anos. Éramos unha e carne. Conheci a filhota dela que tem uns 4 meses. É linda. Queria ter tido uma daquelas contigo, mas pensámos demais.

Apesar da distância e do tempo que passamos sem nos vermos, pareceu-nos que tinhamos estado juntas ontem. É uma sensação maravilhosa e reconfortante. Ela sempre foi uma pessoa simples. Amadureceu com as partidas que a vida lhe pregou. Tem autoridade para dizer uma coisas e sabe como mas pode dizer. Sabe sobretudo que as pode dizer. E sabe que por mais conselhos que possamos dar aos outros, aqueles que sabem melhor ouvir são os que nos deixam felizes. Nisso ela foi sábia, mas realista. Disse-me coisas simples, mas disse-me bem.

Sinto-me mais forte. Já que estou no jogo é para jogar. Não importa o resultado.

Há amigos que são para sempre.





mais uma reflexão

27 06 2009

Dei por mim a fazer isto o tempo todo: re-avaliar e reflectir sobre a minha atitude. Desta vez sobre amizades e amigos.

Da última vez que nos chateámos e ele saiu de casa durante uns dias (há menos de um ano atrás), dei por mim a procurar desesperadamente as minhas amigas para não me sentir sozinha. Estava demasiado desesperada para poder ficar sozinha. A S. (que conheço desde os 6 anos, andámos na escola primária juntas e fomos as melhores amigas na adolescência), apoiou-me imenso, esteve comigo, deu-me a mão. Depois da crise e de voltar a reatar com ele voltei a fazer o mesmo que fazia antes com ela. O tempo passava e eu nem lhe telefonava a saber como estava. Já este ano, em Maio, quando ela fez anos, nem me dei ao trabalho de lhe telefonar. Mandei um SMS da treta.

No passado Sábado procurei outra amiga no Messenger, menos íntima do que S. mas com algumas coisas em comum comigo. Alguém com quem costumava falar bastante sobre as minhas neuras e sobre as turbulências desta relação, sabendo eu que só o fazia porque me é suficientemente distante para ouvir e não ajuizar. Disse-me logo para ir ter com ela, para deixar o que estava a fazer e ir ter com ela, que tinha coisas para fazer mas que “não era nada que não pudesse esperar 30 dias”. Não fui. Não consegui. Nunca mais lhe disse nada.

No Domingo, já dois dias depois de termos declarado oficialmente o “apartheid doméstico”, lá estava eu a ligar a S., a minha amiga de longa data, a contar o sucedido e a chorar-lhe no ombro por telefone. Ela ouviu-me, deu-me bons conselhos, disponibilizou-se para ajudar se eu precisasse, disse-me para ir visitá-la quando quisesse, sempre que quisesse.

Tentei recuperar o contacto de outra amiga, essa sim minha grande amiga entre os 15 e os 20 – grande época essa! – e consegui. Tenho o mail dela, já vi as fotos da filhota e tudo. Vem cá amanhã almoçar com os pais e vamo-nos ver. Tenho saudades dela. Comprei uma prendinha para a bebé. Vou gostar de a ver.

Isto para dizer que para além de ter tentado aniquilar a vida social dele, acabei por aniquilar a minha vida social, esqueci as minhas amigas, deixei de saber delas, não quis saber. Até nisto errei. Queria que me desses todo o teu tempo e me dedicasses todos os teus sentimentos sem que sobrasse nada para as outras pessoas. Foi isso que fiz comigo. Direccionei tudo para ti.

Tenho de me lembrar disto também, se quiser mudar alguma coisa.





praia casa, casa praia

27 06 2009

A nossa vida começou na praia. Vivemos durante 3 meses numa tenda montada num pinhal perto da praia. Estávamos de dia e de noite um com o outro. Ainda hoje falamos – falávamos – disso.

A praia tem por isso uma carga muito simbólica nesta relação. Durante vários anos fui sempre para a praia com ele. Sempre que podia.

Acontece que ele faz bodyboard e passa imenso tempo no mar. Se calhar nem é tanto tempo assim, mas parece-me…

Nos últimos anos, mesmo que pudesse não ia. Deixer de gostar de estar na praia. Deixei de gostar de ficar sozinha  na toalha enquanto ele está no mar.

Este ano, em Maio, ainda antes de começar a época balnear,  e depois de termos declarado “paz” e prometido mudanças na nossa relação na noite de 25 de Abril, decidimos ir para a praia os dois num Domingo de manhã. A manhã não começou bem por várias razões, mas o dia estava bom e acabámos por ficar bem dispostos.

Nesse dia ele disse-me que se fossemos para a praia os dois ao fim de semana ele até abdicaria, ao fim-de-semana, de um biscate que tem (também na praia). Faria apenas durante a semana e ao fim de semana, e assim, sempre que pudessemos íamos para a praia os dois.

Minha resposta inteligente: “não sei se vale a pena. para quê? quanto tempo estiveste aqui ao pé de mim?”

É tão estranho. Sempre que nos chateávamos e discutíamos porque ele não estava comigo quando eu queria que estivesse, ou quando eu achava que devia estar em casa porque sim, ele dizia-me que eu só me focava nisso em vez de aproveitar o tempo que estamos juntos. Ou seja, quando estávamos os dois juntos eu acabava por criar uma discussão em torno do tempo que ele estava ausente em vez de aproveitar o tempo que estava presente.

Agora que ele anda por aí, faz o que quer e chega às horas que quer, quaisquer 10 minutos ao pé dele são preciosos.

Eu devo realmente ter um problema.

É como a casa. Passava a vida a chatear-me e a chateá-lo porque as coisas nunca estavam arrumadas, porque a casa estava sempre um caos, casacos por aqui, meias por ali, toalhas de banho molhadas onde não deviam.

Agora que separámos quartos, roupas, casas de banho, mantem-se tudo razoavelmente arrumado. Ele ainda se esquece de umas coisas por aqui e por ali. Mas agora penso “Que importa? Para que é que quero uma casa arrumada se estou aqui sozinha?