Maravilhoso

31 05 2009


Um homem que fala espanhol como o meu hamster siberiano merece no mínimo uma sementinha de girassol.





a minha menina já foi descansar

27 05 2009

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A minha menina foi hoje descansar destas últimas semanas de luta. Não conseguiu enganar a morte mas fintou-a durante uns dias, poucos e frágeis mas suficientes para me mostrar que a vida não é propriedade de ninguém, que não há deuses nem demónios, e que há  alturas em que devemos simplesmente let go

Era o mais pequeno, mais frágil e mais perfeito elemento da minha família de felinos, embora a última na minha lista afectiva. Ainda tenho aqui comigo o cheiro da quase-morte em que se encontrava quando na segunda-feira de manhã a devolvi ao internamento, às agulhas, ao frio da jaula, à solidão durante a noite. Felizmente terminou. Tarde demais até, dir-me-ia ela se pudesse.





Life Preview

19 05 2009

Uma sessão de Life Preview custa os olhos da cara. Mesmo assim, praticamente todas as mulheres o fazem quando o Ministério da Manutenção da Qualidade de Vida (MMQ-v) lhes atribui o Cidadão Certificado (CC) que mais se aproxima do perfil solicitado. A adequação ao perfil procurado permite que alguns CCs, nem todos, se qualifiquem para partilhar com a sua requisitante as férias holográficas, para fazer a selecção de material genético para uma altergénese (a “concepção” de um bébé como lhe chamavam os nossos avós) ou mesmo – se entretanto não houver devolução durante o período de maturação do CC – para fazer o derradeiro passeio de telepod interplanetário antes do vitae terminus a que todos ainda estamos sujeitos.

A requisição de um CC está a cair em desuso. Mas é uma tradição antiga e quis mantê-la mesmo sabendo que vou ser olhada de esguelha por muitas mulheres. Ainda pensei em fazer como a maioria das minhas convirtas, com quem partilho itens de sabedoria desde os primeiros Níveis Intelectuais (NI). Elas apostaram na progressão de NIs porque dão acesso a mais Pacotes de Qualidade de Vida (Packs Q-v). Estou no nível 10 de 15 e tenho apenas 50 anos. Sei que ainda  tenho uma vida toda pela frente e que aos 65 anos poderei com facilidade estar no último NI, com todos os Packs Q-v a que tenho direito.

As mulheres sabem que se optarem pela requisição de um CC terão de abdicar da progressão de NIs. A maioria delas está numa situação de univida. Mesmo quando querem garantir a continuidade da sua imagem e reproduzir cópias do seu corpo, recorrem às novas tecnologias de programação de partenogénese e reproduzem-se sem grandes preocupações e sem a intervenção de ninguém.

Eu entreguei há pouco a requisição para selecção de um CC e foi-me atribuído um que corresponde exactamente ao perfil que desejo. Mesmo assim quis fazer um Life Preview. Duvido que a melhor opção seja a univida e tenho quase a certeza que este CC é o ideal. O MMQ-v não falha. É um algoritmo testado até à exaustão que só deu problemas nos primeiros 10 anos de implementação devido aos critérios de certificação que estavam a ser utilizados. Entretanto são já mais de 100 anos de aplicação e nos últimos 30 anos não houve sequer necessidade de fazer actualizações. Por um lado a procura de CCs desceu vertiginosamente e por outro o nível de exigência era já tão elevado que não abria qualquer espaço para a inadequação.

Vou fazer o Life Preview para “espreitar” onde vão ser as nossas primeiras férias holográficas e para ver se vamos fazer uma boa escolha de material genético. Só por isto, que não está ao alcance de nenhuma das minhas convirtas vale a pena pagar o montante que pedem para uma sessão resumida.





o serviço

18 05 2009

Tenho imenso serviço.

No meu serviço há quem trabalhe muito e quem não faça nada.

Passei o serviço a uma colega porque estive de baixa durante uma semana.

Bonita expressão esta do “serviço” usada pelos funcionários públicos para descrever o seu trabalho, as suas tarefas, a sua colmeiazinha. Coisinha ainda meio estado-novo, provavelmente, no tempo em que ser funcionário público era servir o estado e o povinho.





cuíqué flores

18 05 2009

Apanhei num zapping o programa “dia seguinte” da SicN.

Estava um dos palonços presentes – que suponho serem todos representantes intelectuais dos vários clubes de futebol – a chamar o Quique Flores de “Cuíqué”, ao que o representante intelectual do Benfica lhe pergunta «porque é que lhe está a chamar “Cuíqué” e não “Quique”?». Resposta do palonço: porque em português um “quê de haste” (isto deve ser um quê de nove à moda do porto) e um “ui” se lê “cuí”, e porque ele não tem de saber falar espanhol.

Pois claro. Como em a “cuímera do ouro” ou um “cuílo” de batatas, ou ainda um “cuísto” no rabo.

É por isto que vale a pena não gostar de futebol.