Agora que a coisa já passou e sabendo que com este solinho de Inverno vemos as coisas com mais clareza, permito-me fazer uma análise desse momento tão específico e localizado que é a noite de Natal.
Primeiro, as prendas.
Depois de há uns meses o meu avô ter dito – protestando – que este Natal não ia comprar prendas para ninguém, achei que a ideia era boa e de seguir.
Não há dúvidas que foi o Natal mais descansado dos últimos anos. Não estive em filas, não desesperei, não comprei prendas que ficaram por abrir. Maravilha. A verdade é que o Natal sem prendas tem muito menos significado. E não estou a falar de preeenddddaassss!, estou mesmo a falar de um par de meias ou de um sortido de bombons.
Segundo, o jantar.
Todos a morar na mesma cidade, mas todos em casas diferentes. Numa casa os meus avós e a minha tia porque a minha tia não fala com a minha mãe, que por sua vez prefere ficar em casa a entristecer em vez de vir jantar à minha casa e trazer com ela o meu irmão. O meu pai numa outra terra, de voz vagamente triste quando me telefonou. A isto se junta o facto de também o meu manel jaquim ter uma familia disfuncional, à excepção de uns tios absolutamente boas pessoas com quem me sinto familiarmente confortável.
Assim, ficámos 2 humanos, 5 gatos, 1 cadela, 1 hamster siberiano, 1 ensopado de borrego e 1 polvo ao alhinho, acompanhados de vinho tinto, vinho do porto e ginja com chocolate. Safou-me a noite um breve e saboroso “Ça va bien, merci” do meu irmão.
Terceiro, o futuro.
Ontem falava disto com o meu manel jaquim. Penso várias vezes que é função da nossa geração quebrar o ciclo de depressão das nossas famílias. Somos novamente o início. O meu primo já começou a quebrar o ciclo do lado dele e vai sofrendo o embate de quem vai à frente. Surpreende pela coragem, pela determinação, pela capacidade de fazer um grande manguito ao destino.
Esta análise de Natal é dedicada ao meu primo e ao filho dele.