acontecimento memorável

28 08 2008

Este acontecimento mereceu uma entrada no blogue do meu novo projecto pessoal.

Ainda não se pode dizer que seja um andarape ou que alguma vez o venha a ser, mas pelo menos acompanhou-me durante aproximadamente 2400 metros. Tendo em conta que andar a pé é coisa que não aprecia e que é uma actividade pela qual não nutre grande interesse, não posso deixar de deixar aqui registado o momento. Pode ser que se repita!





passeio rural

28 08 2008

Ontem aventurámo-nos em direcção à serra de Montejunto. Quem nos deu as boas vindas foi uma árvore nua, de braços abertos e erguidos em direcção ao céu. Mas antes disso fizemos um caminho novo e encontrámos um sopé cor de mel que parecia ser habitado apenas por frangos de aviário ecoando lamúrias por toda a planície que por ali se estende. Até os frangos de aviário são rurais por ali – “frango rural”, era esta a designação usada por uma empresa de aviários da zona num camião-cisterna que durante alguns quilómetros abriu caminho à nossa frente pelas estradas e pelas ruas das aldeias por onde passámos.

 

Andámos numa estrada empedrada e tudo.

A vista da serra é linda e o ar que se respira é forte e puro. Tão puro que custa a respirar. A vegetação é abundante e dominante. Na zona da real fábrica de gelo há uma humidade no ar que parece ali estar entranhada há séculos. 

De regresso a casa um saltinho ao outlet. Foi lá que comprei a minha bolinha de basket! (ver post anterior)





contrasenso

28 08 2008

Ontem comprei uma Nike 1000 mas tenho apenas 158 cms de altura.





e-book, página 2

21 08 2008

Na mesa do escritório Maria encontrava-se sempre consigo. No cinzeiro de beatas moribundas, no caderno de folhas tenras onde ocasionalmente faz questão de deixar uma ou outra palavra com caneta de tinta permanente, na vela que acende de vez em quando e espalha maçãs verdes pela casa, no gato que dorme ali mesmo ao lado, na poltrona de braços coçados e almofada de sumaúma. Da janela do escritório avistava-se o rio, estreito e curto, pejado de patos. Na mesa uma chávena de chá, o candeeiro aceso e o telefone que toca. Maria atende, embora saiba que não está ninguém do outro lado porque o auscultador não funciona. Sabe que a ouvem se responder, mas diz apenas “estou” e pousa-o a seguir. Não vai mandar arranjar aquilo. Está muito bem assim. Basta que saibam que está lá. Da janela vê-se a estrada depois do rio e a ponte de madeira. Por lá passa ocasionalmente um carro ou outro. Há carros que páram para olhar para os patos. Depois seguem o seu caminho. Maria sai de casa e vai à cidade. Compra o jornal e pão. Ainda tem cigarros.





a caminho de nenhures

21 08 2008

De facto é muito giro andar a pé e faz um bem desgraçado ao corpo e à alma. Mas a verdade é que nunca poderei ser contra os automóveis por uma simples razão. É excelente andar de carro com o meu irmão a conduzir e apanhar uma estrada a caminho de nenhures. Ele gosta à brava de conduzir e eu já me habituei a um tipo de condução que só posso classificar como tranquilo-desportiva.

Passamos pelas terrinhas com os nomes mais estranhos, perdidas atrás de montes e eucaliptais, com estradas que parecem não ir dar a lado nenhum, com ruas tão estreitas onde o carro encolhe a barriga para passar.

Ontem – sem termos sequer feito planos para que isso acontecesse – acabámos por fazer um percurso enorme de carro por estradas nacionais e secundárias, daquelas onde de repente não há sinais de trânsito nem carros, nem pessoas.

A estes sítios não se chega a pé ou de bicicleta. Chega-se de carro – eventualmente de autocarro até à beira da estrada principal. Pior do que isso, destes sítios não se sai a pé. As pessoas que por ali vivem padecem dessa imobilidade, desse apegamento ao banco de madeira ou de pedra que está à porta de casa  e onde às vezes se sentam e vêem passar os carros dos forasteiros. 

A “estrada principal” tem direito a placa toponímica, arranjadinha e colorida, de tinta ou azulejo. Há nomes de ruas em sítios perdidos, como se fizessem planos de ali um dia viver muita gente, com casas de um lado e do outro e passeios pedonais e zonas verdes como há na cidade. Ruas que se chamam do Alecrim ou da Paz. Há parques infantis inventados pela câmara municipal e pelas juntas de freguesia em espaços exíguos e despropositados que parece que foram feitos “só para aparecer”.

Há cafés de beira de estrada onde a meio da tarde tudo está escurecido e completamente vazio. Onde se percebe que a televisão de grandes dimensões e a mesa de snooker são o melhor que se pode ter como forma de entretenimento. Há um pedaço de bolo caseiro esquecido na vitrine – “feito de manhã”, diz o filho. A senhora atrás do balcão, matriarca do sítio, pega no pedaço de bolo com as mãos todas e com uma faça que pode muito bem servir uma vez por outra de chave-de-fendas, reparte-o em 3 fatias, uma para mim, outra para o meu irmão, outra para um netinho despenteado que saiu sabe-se lá de onde e se lembrou de repente que queria bolo. Comentámos depois no carro que o bolinho foi feito de manhã, certamente, mas na manhã de outro dia qualquer.

Passámos por uma terra que se chama Bandalhoeira. É de lá que são os Bandalhos, suponho. Tudo tem uma explicação.

Passeios rurais engraçados, estes.