Não sou da geração (global) do “Comé? Tásssse?”. Mas sou de uma geração (local) que se cumprimentava com “‘tão pá? Tudo bem?”. Acho piada quando vejo pessoal da minha idade, o mesmo pessoal com quem eu bebi dos copos sem fundo da adolescência da periferia, a dizer “Como está?”. Acrescente-se a isto um casaquinho pipi e às vezes uma gravata macaca. Tem piada tem. Mas é tudo boa gente.
Esvoaça
28 05 2007Sou livre. Mentira. O coração aperta e as palavras saem trémulas.
O mundo abala e tomba e depois cresce novamente sobre mim.
Não estou livre. Prendem-me os projectos e os compromissos, o desejo de não desistir.
Sou bombardeada e não me movo um centímetro. Firme. Petrificada. Horrorizada.
Depois caio, mas apenas quando já estou só.
É depois que apanho os meus estilhaços ou então esqueço-os e tomo nova forma.
Não sou livre. Não me liberto. Ao contrário, aperto. Constranjo, amordaço.
Nem sempre sei quem sou, já nem sei se sou.
Arrasta-se assim o tempo e espero. Nesta espera, a esperança esvoaça.
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Categorias : Em posição poética
animais e ancestrais
16 05 2007Comprei Animals and Ancestors: an ethnography de Brian Morris.
Tem uma capa lindíssima, é da Berg e foi publicado em 2000.
Não sei se é bom se é mau, mas é um início.
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