Hobbies

29 10 2006

Fala-se por aí de um português conhecido que plagiou uma obra estrangeira. Face à acusação defende-se com “bardamerdas” e “pauladas”. A recompensa é que o livro venderá evidentemente mais exemplares.

Um dos meus projectos para hobbie no futuro é pegar numa caterva de teses de doutoramento em ciências sociais e procurar-lhes os plágios. Depois de os encontrar torno públicos apenas aqueles que sejam da responsabilidade de grandes amigos para que – justamente – se tornem famosos, falados e reconhecidos.





Perdão

28 10 2006

O preconceito dos ignorantes e a superioridade dos intelectuais é coisa de ilhas urbanas rodeadas de ruralidade por todos os lados.

Numa dessas ilhas estava eu, armada em pessoa livre, achando que num local público podia enrolar um cigarro. Papel, filtro, tabaco e a pecaminosa língua na cola. 

Um primata rural acompanhado da fêmea domesticada vendo tamanho pecado profere –  engafanhotando o ambiente – “só se vê é merda, olha para isto! O mundo está podre”.

Não fiz mais do que encolher os ombros perante aquele macaco selvagem. Certamente terá morto pessoas em África, enquanto defendia a pátria e fumava liamba. Deve ficar saudoso de tempos a tempos.

Está perdoado. Mas espero que lhe caiam os dentes todos.





Parque

18 10 2006

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Competência etnográfica

17 10 2006

Glenn Petersen levantou muito recentemente questões centrais acerca da importância da etnografia (Petersen 2005: 312). Fazer uma boa etnografia é importante para o antropólogo, mas será importante para mais alguém? Qual a importância da nossa etnografia se ela não puder ser utilizada por mais alguém (para além dos próprios antropólogos) com efeitos práticos e se não for reconhecida como útil?

As I have come to value my own ethnography, I simultaneously have had to recognise that any practical importance to be found in what I do would seem also to derive from not doing ethnography. This conundrum first provoked me to undertake this paper. Moreover, I am inclined to believe that this may be an element of what currently afflicts anthropology as a whole. It also occurs to me that it is ethnographic competence (as opposed to authority) that enables me and us to move on to other realms, that is, it may take a very long time to ground ourselves sufficiently in ethnography to move on to other realms. My position representing Micronesia at the United Nations required my familiarity with Micronesia, a familiarity I gained because of my ethnographic work. (Petersen 2005: 312-313, itálico do autor)  

Ethnographic authority implies that a reader unfamiliar with a body of material can rely upon the authority of the writer for assurance that the text provides an accurate depiction. However, this is almost entirely a matter of literary context. To use ethnography for more practical or mundane purposes requires a different sense of accuracy, one that provides some assurances that policies can be based upon what is recounted with some certitude. I call this ethnographic competence. (Petersen 2005: 313, itálico do autor)





How fragile we are

17 10 2006

Temos a vida presa por um fio. Ontem, perto das 11:00, uma mulher dentro de um carro virado ao contrário na auto-estrada. Telemóvel a pedir ajuda. Foi por um triz. Mas mesmo assim ainda é por um triz. Sai do carro. Acredita no colete fluorescente. Está mesmo depois de uma curva. Os carros passam em velocidade. Continua a ser por um triz. Não sei o que se passou depois, mas sei que a nossa vida está agarrada a nós por muito pouco.