faz hoje um ano…

18 06 2010

… que saíste de casa e me disseste que “qualquer coisa era melhor” do que a vidinha que tinhas. Ainda bem. Um ano depois a minha vida está muito melhor do que estava há um ano atrás e a tua está pior do que quando me apaixonei por ti há 12 anos atrás. O tempo tem destas coisas e a parvoíce de cada um ajuda bastante. A minha foi acreditar em nós enquanto casal durante demasiado tempo; a tua foi não acreditar que estavas melhor na vidinha que tinhas do que em qualquer outra que venhas a ter. Assim estamos livres os dois. Mas seja como for tu tinhas razão quando me dizias que precisavas muito mais de mim do que eu de ti. Confere.





voltei.

19 02 2010
Olá blogue.
Voltei. Vou precisar de ti outra vez.
Hoje é outro primeiro dia de outro ciclo. Estou outra vez em pedaços. Outra vez. E vou ter de os voltar a juntar. Outra vez.
“Situação provisória”. Era essa a condição para as coisas estarem como estavam. Na mesma casa, teoricamente. Na prática uma triangulação que me incomodava porque não era ausência nem presença. Não era separação mas havia sempre saudade. Havia sempre reencontro, sempre uma energia enorme, umas vezes má, outras boas. Nunca indiferença, nunca o vazio.
Pressionei. Achava que tinha de pressionar, achava que não era certo manter as coisas como estavam. Anteontem pressionei mais. Ontem deixei claro o meu desconforto. Hoje tive a reacção.
Saiu. Sentiu que me esgotei, que já não estava confortável com a sua presença, mas também que ele próprio tem de ter espaço e vida. Quis dizer-mo pessoalmente. Pediu-me que nos encontrássemos. Sim, claro que sim. Pela primeira vez abri o meu coração. Não deixei por dizer o que sentia. Muitas coisas, muita dor, muita frustração. Fez-me prometer que me ia lembrar das coisas boas. Que ia pensar positivo. Que ia ser feliz. Que nunca me ia sentir sozinha. Que ele estava sempre comigo. Prometi. Ele também. Que vai cuidar dele. Que vai aguentar. Que mesmo não sabendo o que o futuro lhe reserva nunca vai esmorecer. Vamos manter a promessa que fizemos de comum acordo e por sugestão dele. Jantamos juntos, sempre que possível, no último domingo de cada mês. E enquanto chorávamos rasgámos um sorriso cheio de alegria por sabermos os dois que enquanto quisermos isto vai mesmo acontecer. Ainda somos muito. Ainda somos mais do que muitos são. Tantos meses depois ainda nos sai das bocas um “gosto muito de ti” em exacta sincronia. E ainda nos rimos com isto.
Outra vez o medo de perder alguma coisa que já não era nada. Por outro lado uma clara sensação de se estar a desenhar outro caminho. Outra sinceridade, outra união, outro esforço, outra visão sobre nós e os outros.
Ninguém é capaz de explicar a ligação que existe entre (estas) duas almas. Neste momento nem eu própria. A única coisa que sei é que o destino existe e que não há forma de lhe escapar. Não pode haver outra explicação, ou eu não estaria aqui. Estaria com uma das minhas amigas, que por acaso hoje – apenas hoje, em nenhum dos outros dias – têm outros encontros, outras vidas. Estaria a “chat”ear o meu irmão que hoje não está online. Podia ligar à minha mãe, mas ela fez tudo o que podia por mim no verão. Não sabe fazer mais. Não pode. A mãe que eu tive no verão foi um luxo que pouca gente alguma vez terá.
Hoje era suposto eu chegar a casa e vê-la vazia – mesmo que isso seja o que na realidade encontro sempre. Mas hoje falta-lhe aquela outra parte de mim que quero tão longe como quero perto. Era suposto sentar-me no sofá a chorar, a pensar mais uma vez em tudo, repetir para mim mesma aquilo que lhe disse há pouco, a ouvir na minha cabeça as palavras cada vez mais fragilizadas e despidas de arrogância que ele me disse. Tinha de estar aqui onde estou, a chorar comigo e a vê-lo ainda a chorar como vi há pouco. A pensar no que nos dissémos e no que nos prometemos, e na forma como tudo ainda entre nós é sincronia e sintonia. Tudo. E pensar em como este tudo não é já nada que consiga manter-nos juntos. Sei tão bem como ele que não estamos felizes mas a vida tem de seguir. Mesmo que pareça difícil.
Tinha de recuperar-te, de voltar a usar-te para me reencontrar, como sempre faço quando escrevo. Aqui estou. E pelos vistos vou voltar.
A irmã dele teve o segundo bébé na sexta-feira. É uma menina. O irmão ainda só tem 15 meses. Pelos vistos a vida é assim. Continua(-se).




can you fall in love twice with the same person?

14 10 2009

Andorinha





mais de 3 meses

27 09 2009

Fez 3 meses no dia 17 e o passado parece-me cada vez mais distante e “esquecível”.





2 meses

18 08 2009

…é o que há para dizer…





1 mês

17 07 2009

Faz hoje 1 mês, mas parece-me que passou muito mais tempo.

Acho que estamos a lidar com esta situação precisamente da forma como sempre fomos: nunca houve comparação com outros casais, sempre fomos “mais”. Mais amor, mais ódio, mais luta, mais ciúme, mais carinho, mais combate, mais atenção, mais ligados, mais inseparáveis, mais abraçados, mais beijados.

Mesmo na separação somos muito maiores do que os outros.

Nos últimos dias tenho estado com uma amiga minha, a S. Ela não entende como é que estando separados continuamos a trocar mensagens sobre onde estamos ou o que estamos a fazer. E eu não entendo a surpresa. Sei que eu preciso tanto disso como ele. É natural. Sempre fomos muito mais do que isso. As mensagens são apenas um restinho que sobrou.





devo estar parvinha de todo…

7 07 2009

…mas já agora quero testar o meu limite.

Alguma coisa hei-de aprender com isto.





a carta que não era de amor

1 07 2009

Ontem escrevi-lhe uma carta que não era de amor. Era uma carta onde abri o meu coração como achei que devia fazer. Não lhe disse que o amo, que ainda gosto dele, que temos de voltar um para o outro senão morro de tristeza.

Disse-lhe o que sinto, de coração aberto e completamente desarmado. Disse-lhe o que não estava a conseguir dizer por dificuldade de comunicação. Não tinha já nada a perder. Tenho tempo para esperar, não tenho pressa de encontrar ninguém nem ânsia de ser quem não sou. Tenho capacidade para aprender e para mudar as minhas atitudes que, melhor do que ninguém, sei que foram erradas e que detonaram pilares importantes. Sei que vamos os dois aprender muito com isto. Não tenho pressa. Mesmo.





cidades

29 06 2009

Na sequência do post anterior, quero deixar aqui uma nota.

Como estávamos numa esplanada vi Lisboa anoitecer. Lisboa tem um anoitecer feio. Há ali uma hora em que se despe da vida e renasce em miséria. Sem-abrigo, indigentes, loucos e pessoas abandonadas. Depois de sair do metro fiz caminho do costume para o  terminal de autocarros. Até nesse caminho, que me é tão familiar como o interior da minha mala, o cair da noite soou diferente.

Depois o inverso. A minha cidade. O sítio que me está na pele. Onde anoitece como amanhece, pelo menos aos meus olhos. Onde as esquinas são seguras, onde as sombras são certamente de alguém que conhecemos. Esta cidade é minha, pertence-me.

As cidades serão talvez como as pessoas. Por mais que as conheçamos elas têm de nos estar na pele para que nos sintamos confortáveis na sua companhia.





boa surpresa

29 06 2009

A vida tem destas coisas. Fecha umas portas para abrir outras.

Ontem encontrei no Facebook uma grande amiga de liceu que não via há uns 8 anos. Foi viver para Londres e perdi todos os contactos dela. Não sabia se estava viva ou morta. Está viva, feliz e bonita como sempre.

Hoje recebi a mais inesperada das visitas. Um dos meus amigos da residência de estudantes onde vivi há uns 11 anos atrás foi visitar-me ao trabalho. Fiquei até emocionada (o que nos últimos dias não é difícil). Geralmente éramos sempre quatro quando saíamos: eu, a S., o J. e o P. Mas a festa ficava sempre mais divertida quando aparecia o M.

Esteve nos últimos 8 anos a viver em Londres (está toda a gente em Londres???), chegou a encontrar-se lá com o J. e foi mantendo contacto com o P. e com a S.

Durante uns tempos ainda mantive contacto com ele por e-mail mas depois perdi-lhe completamente o norte. Hoje apareceu-me lá, igual a ele próprio. Estava de passagem por Lisboa e tinha combinado com um pessoal da turma dele de licenciatura ir beber uma cerveja e comer uns tremoços ali perto depois do expediente. Perguntou-me se queria ir. Ainda hesitei, mas como ultimamente – infelizmente - não tenho ninguém em casa à minha espera, decidi aceitar. Acabou por ser porreiro. Conversas diferentes, pessoas diferentes. Com ele está-se sempre em boa companhia. Até já me tinha esquecido. Serenidade e bom-humor com fartura. Às 9 e pouco lá foi para a estação do Oriente apanhar o intercidades para o Porto. Deve ter uma comitiva à espera dele. Trocámos contactos. Ele vai ficar no Porto até Setembro e depois regressa para Londres. Pode ser que ainda nos encontremos. Era um bom amigo ele.





bora lá jogar

28 06 2009

Mais um dia. Hoje estive com uma amiga que não via há anos. Éramos unha e carne. Conheci a filhota dela que tem uns 4 meses. É linda. Queria ter tido uma daquelas contigo, mas pensámos demais.

Apesar da distância e do tempo que passamos sem nos vermos, pareceu-nos que tinhamos estado juntas ontem. É uma sensação maravilhosa e reconfortante. Ela sempre foi uma pessoa simples. Amadureceu com as partidas que a vida lhe pregou. Tem autoridade para dizer uma coisas e sabe como mas pode dizer. Sabe sobretudo que as pode dizer. E sabe que por mais conselhos que possamos dar aos outros, aqueles que sabem melhor ouvir são os que nos deixam felizes. Nisso ela foi sábia, mas realista. Disse-me coisas simples, mas disse-me bem.

Sinto-me mais forte. Já que estou no jogo é para jogar. Não importa o resultado.

Há amigos que são para sempre.





mais uma reflexão

27 06 2009

Dei por mim a fazer isto o tempo todo: re-avaliar e reflectir sobre a minha atitude. Desta vez sobre amizades e amigos.

Da última vez que nos chateámos e ele saiu de casa durante uns dias (há menos de um ano atrás), dei por mim a procurar desesperadamente as minhas amigas para não me sentir sozinha. Estava demasiado desesperada para poder ficar sozinha. A S. (que conheço desde os 6 anos, andámos na escola primária juntas e fomos as melhores amigas na adolescência), apoiou-me imenso, esteve comigo, deu-me a mão. Depois da crise e de voltar a reatar com ele voltei a fazer o mesmo que fazia antes com ela. O tempo passava e eu nem lhe telefonava a saber como estava. Já este ano, em Maio, quando ela fez anos, nem me dei ao trabalho de lhe telefonar. Mandei um SMS da treta.

No passado Sábado procurei outra amiga no Messenger, menos íntima do que S. mas com algumas coisas em comum comigo. Alguém com quem costumava falar bastante sobre as minhas neuras e sobre as turbulências desta relação, sabendo eu que só o fazia porque me é suficientemente distante para ouvir e não ajuizar. Disse-me logo para ir ter com ela, para deixar o que estava a fazer e ir ter com ela, que tinha coisas para fazer mas que “não era nada que não pudesse esperar 30 dias”. Não fui. Não consegui. Nunca mais lhe disse nada.

No Domingo, já dois dias depois de termos declarado oficialmente o “apartheid doméstico”, lá estava eu a ligar a S., a minha amiga de longa data, a contar o sucedido e a chorar-lhe no ombro por telefone. Ela ouviu-me, deu-me bons conselhos, disponibilizou-se para ajudar se eu precisasse, disse-me para ir visitá-la quando quisesse, sempre que quisesse.

Tentei recuperar o contacto de outra amiga, essa sim minha grande amiga entre os 15 e os 20 – grande época essa! – e consegui. Tenho o mail dela, já vi as fotos da filhota e tudo. Vem cá amanhã almoçar com os pais e vamo-nos ver. Tenho saudades dela. Comprei uma prendinha para a bebé. Vou gostar de a ver.

Isto para dizer que para além de ter tentado aniquilar a vida social dele, acabei por aniquilar a minha vida social, esqueci as minhas amigas, deixei de saber delas, não quis saber. Até nisto errei. Queria que me desses todo o teu tempo e me dedicasses todos os teus sentimentos sem que sobrasse nada para as outras pessoas. Foi isso que fiz comigo. Direccionei tudo para ti.

Tenho de me lembrar disto também, se quiser mudar alguma coisa.





praia casa, casa praia

27 06 2009

A nossa vida começou na praia. Vivemos durante 3 meses numa tenda montada num pinhal perto da praia. Estávamos de dia e de noite um com o outro. Ainda hoje falamos – falávamos – disso.

A praia tem por isso uma carga muito simbólica nesta relação. Durante vários anos fui sempre para a praia com ele. Sempre que podia.

Acontece que ele faz bodyboard e passa imenso tempo no mar. Se calhar nem é tanto tempo assim, mas parece-me…

Nos últimos anos, mesmo que pudesse não ia. Deixer de gostar de estar na praia. Deixei de gostar de ficar sozinha  na toalha enquanto ele está no mar.

Este ano, em Maio, ainda antes de começar a época balnear,  e depois de termos declarado “paz” e prometido mudanças na nossa relação na noite de 25 de Abril, decidimos ir para a praia os dois num Domingo de manhã. A manhã não começou bem por várias razões, mas o dia estava bom e acabámos por ficar bem dispostos.

Nesse dia ele disse-me que se fossemos para a praia os dois ao fim de semana ele até abdicaria, ao fim-de-semana, de um biscate que tem (também na praia). Faria apenas durante a semana e ao fim de semana, e assim, sempre que pudessemos íamos para a praia os dois.

Minha resposta inteligente: “não sei se vale a pena. para quê? quanto tempo estiveste aqui ao pé de mim?”

É tão estranho. Sempre que nos chateávamos e discutíamos porque ele não estava comigo quando eu queria que estivesse, ou quando eu achava que devia estar em casa porque sim, ele dizia-me que eu só me focava nisso em vez de aproveitar o tempo que estamos juntos. Ou seja, quando estávamos os dois juntos eu acabava por criar uma discussão em torno do tempo que ele estava ausente em vez de aproveitar o tempo que estava presente.

Agora que ele anda por aí, faz o que quer e chega às horas que quer, quaisquer 10 minutos ao pé dele são preciosos.

Eu devo realmente ter um problema.

É como a casa. Passava a vida a chatear-me e a chateá-lo porque as coisas nunca estavam arrumadas, porque a casa estava sempre um caos, casacos por aqui, meias por ali, toalhas de banho molhadas onde não deviam.

Agora que separámos quartos, roupas, casas de banho, mantem-se tudo razoavelmente arrumado. Ele ainda se esquece de umas coisas por aqui e por ali. Mas agora penso “Que importa? Para que é que quero uma casa arrumada se estou aqui sozinha?





Porquê?

26 06 2009

Quero escrever e não sai nada. Deve ser do vazio que sinto neste momento. Um vazio enorme e assustador, todos os sentidos adormecidos, nenhum estímulo, nenhum caminho. Nem vontade de reaver qualquer um deles. Como se tivesse perdido a alma e toda eu chorasse por dentro. A sensação é a de estar dentro de num túnel cheio de ar e, enquanto por dentro todo o meu corpo se retrai, do lado de fora todo o ar me suga em todas as direcções sem que o corpo se mova um milímetro. Na cabeça uma única pergunta – porquê?





banho-maria

24 06 2009

Estou num género de banho-maria. Ainda não entendi o objectivo de tudo isto, mas tenho aprendido lições importantes. Sempre que me lembro de umas coisas custa-me acreditar noutras. O tempo dirá o que fazer, como fazer e quando fazer.

Sempre que começo a pensar muito nos problemas esforço-me por impor de imediato ao meu cérebro aquela que tem sido a minha máxima dos últimos dias: “um dia de cada vez”.

Mas, se a pretexto da liberdade individual que a todo o custo queres ter, eu ficar a cada dia que passa mais indiferente ao que fazes e dizes, poderemos chegar então a um ponto de viragem. Resta saber para onde.





21 06 2009

YOUTH GROUP: Forever Young

Este post foi escrito com som desligado.
No dia em que conseguir ouvir esta música com indifereça e ela deixar de ter o significado que ainda tem para mim é sinal que estou preparada para “let go”.
Ouvimo-la pela primeira vez na noite de 24 para 25 de Abril.





o riso de deus

21 06 2009

Antes desta relação eu comprava livros, e lia-os. Depois continuei a comprá-los e a lê-los menos. Até que os comprava para ler “um dia”.

Decidi ir à minha estante recuperar um livro qualquer que já tivesse lido. Mesmo só para reler, como quem revê a vida.

Peguei n’”O Riso de Deus” de António Alçada Baptista. Na primeira folha, como era meu costume, tem o meu nome e o ano de compra. Este comprei em 1997, um ano antes de te conhecer.

Comecei a ler.

Na terceira página de texto diz assim:

“…um homem e uma mulher não podem viver na dialéctica e muito menos nesta padagogia doméstica de se ensinarem como é que um quer o outro. O futuro não vai conhecer a dialéctica e o amor entre duas pessoas tem que ser o nosso ensaio de futuro, pelo menos aquele que nos é mais acessível. Amar é uma atitude de compreender e aceitar: é reconhecer os outros e respeitar a sua liberdade. Não pode ser outra coisa, se quisermos acabar com este espectáculo triste em que todos andamos metidos. Eu só aceito as catástrofes naturais: os tremores de terra, as inundações, as secas, os ciclones, a morte. Não posso aceitar esta destruição domiciliária dos sentimentos e da vida pela vontade deliberada dum homem e duma mulher que é o que se anda pr’aí a viver com o nome de amor…”

Para dizer também que recentemente, quando tudo já estava baralhado e dado e não havia trunfos para gastar, voltei a ter vontade de comprar os meus livros e de os ler.





hoje acordei bem

21 06 2009

Sim, hoje acordei bem. Sinto-me forte e com coragem. Já entendi que não vale a pena ter ilusões e que não há qualquer esperança de retorno. Devagarinho vou lá.

Acordei cedo, saí de casa, fui à minha vida.

Eu cometi o erro da protecção exagerada, ele cometeu o erro de nunca perceber que o que eu sempre quis foi constituir uma família feliz.

Paciência. Como ele próprio disse, a vida é muito longa.





areia para os olhos

20 06 2009

Jantámos. Falámos uma meia hora sobre assuntos banais. Disseste que ias sair. Antes de saires quis dizer-te que admitia os erros que tinha cometido na nossa relação.

“Não estamos aqui para admitir erros. Não há erros. Quando perceberes que ninguém errou, chegaste lá. Vivemos 11 anos juntos. Ninguém se conhece melhor do que nós um ao outro. Não vale a pena continuarmos a atirar areia para os olhos de ninguém.”

Assim é óptimo para abrir a pestana e deixar-me de ilusões. A loja fechou mesmo.





em modo off

20 06 2009

Estive a separar as roupas, as camas, os espaços. Arrumei também a minha cabeça.

Enquanto arrumava as tuas roupas pensei que um dos principais erros foi definitivamente meu:

Sempre te tratei de forma demasiado maternal. Enquanto pensava em “educar-te” esqueci-me de te amar. Insisti em criticar-te em vez de aceitar a pessoa que és. Não fui tua companheira, fui uma mãe chata que te ralhava quando chegavas tarde. Insisti em proteger-te em vez de te deixar crescer. Como fazem os filhos, fartaste-te das opressão e quiseste liberdade.

Sempre me disseste que precisavas de mimo. Que só precisavas de mimo, que eu era a tua vida e que íamos ficar velhinhos um ao lado do outro. Não ouvi. Em vez de me agarrar a ti e de te amar dizia-te muitas vezes “vamos ver, vamos ver”. Como se o amor pudesse ser condicional.





ridículo

19 06 2009

Sempre achei que me telefonavas demasiadas vezes. Hoje durante todo o dia esperei ansiosamente por um telefonema teu.





Acabou

18 06 2009

Olá passarinho.

Passaram mais de 11 anos. Decidimos hoje que acabou. Separamos camas, roupas, comida.

Vou ficar bem. Sou forte.





flash update

8 06 2009

O meu avô está vivo.

As eleições foram ontem.

Amanhã é dia de trabalho.





dia 1

1 06 2009

O meu querido avô está internado. Fez 80 anos em Janeiro. Parece-me tudo muito confuso ainda, mas estou a assimilar devagarinho e para isso preciso de escrever.

Esta criatura de quem falo tem defeitos, como eu,como tu, como outra criatura qualquer. Mas bolas, é a criatura que me levava a passear quando era pequenina, que ia comigo visitar um grilo meu amigo que eu imaginava que existia num buraquinho de uma pedra nas escadas do palácio da justiça, era ele que me fazia sopinhas de leite quando era pequenina e dormia lá em casa. Foi ele que se esforçou para eu conseguir tirar “um curso”. Foi ele que trabalhou uma vida toda para hoje não ter quaisquer bens materiais porque tudo o que ganhou foi gastando em filhos e netos e já em um bisneto. É ele a única pessoa perante quem eu não assumo que fumo, e tenho 32 anos, ou 33, porra. Respeito-o como a um pai – não, respeito-o como um grande avô que é – e não queria nada que se fosse embora assim, sem dar tempo para nada. 

Estive com ele nem 30 segundos, numa incursão ilegal mas autorizada pela médica ao internamento de cuidados intermédios. Choramingou, pegou-me na mão e colocou-a no peito dele, deu-me um beijinho e nem cheguei a perceber o que ele estava a sentir. Muitos nervos, muito medo. Isso sei. Vai agora para os cuidados intensivos para um acompanhamento mais delicado ou que merda é essa. Nem sei bem o que penso sobre isto. 

Quando esteve internado depois de ser operado ao coração estive com ele todos os dias. Sei como sofria e a tristeza que tinha por estar ali fechado. Ele não pode estar fechado. Fui lá todos os dias. Todos, todos. Nem podia pensar que ele estava um dia sequer sem a visita de alguém. Sabia que ele contava comigo.

Até amanhã vô. Dorme bem. Amanhã estou aí.





Maravilhoso

31 05 2009


Um homem que fala espanhol como o meu hamster siberiano merece no mínimo uma sementinha de girassol.





a minha menina já foi descansar

27 05 2009

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A minha menina foi hoje descansar destas últimas semanas de luta. Não conseguiu enganar a morte mas fintou-a durante uns dias, poucos e frágeis mas suficientes para me mostrar que a vida não é propriedade de ninguém, que não há deuses nem demónios, e que há  alturas em que devemos simplesmente let go

Era o mais pequeno, mais frágil e mais perfeito elemento da minha família de felinos, embora a última na minha lista afectiva. Ainda tenho aqui comigo o cheiro da quase-morte em que se encontrava quando na segunda-feira de manhã a devolvi ao internamento, às agulhas, ao frio da jaula, à solidão durante a noite. Felizmente terminou. Tarde demais até, dir-me-ia ela se pudesse.





Life Preview

19 05 2009

Uma sessão de Life Preview custa os olhos da cara. Mesmo assim, praticamente todas as mulheres o fazem quando o Ministério da Manutenção da Qualidade de Vida (MMQ-v) lhes atribui o Cidadão Certificado (CC) que mais se aproxima do perfil solicitado. A adequação ao perfil procurado permite que alguns CCs, nem todos, se qualifiquem para partilhar com a sua requisitante as férias holográficas, para fazer a selecção de material genético para uma altergénese (a “concepção” de um bébé como lhe chamavam os nossos avós) ou mesmo – se entretanto não houver devolução durante o período de maturação do CC – para fazer o derradeiro passeio de telepod interplanetário antes do vitae terminus a que todos ainda estamos sujeitos.

A requisição de um CC está a cair em desuso. Mas é uma tradição antiga e quis mantê-la mesmo sabendo que vou ser olhada de esguelha por muitas mulheres. Ainda pensei em fazer como a maioria das minhas convirtas, com quem partilho itens de sabedoria desde os primeiros Níveis Intelectuais (NI). Elas apostaram na progressão de NIs porque dão acesso a mais Pacotes de Qualidade de Vida (Packs Q-v). Estou no nível 10 de 15 e tenho apenas 50 anos. Sei que ainda  tenho uma vida toda pela frente e que aos 65 anos poderei com facilidade estar no último NI, com todos os Packs Q-v a que tenho direito.

As mulheres sabem que se optarem pela requisição de um CC terão de abdicar da progressão de NIs. A maioria delas está numa situação de univida. Mesmo quando querem garantir a continuidade da sua imagem e reproduzir cópias do seu corpo, recorrem às novas tecnologias de programação de partenogénese e reproduzem-se sem grandes preocupações e sem a intervenção de ninguém.

Eu entreguei há pouco a requisição para selecção de um CC e foi-me atribuído um que corresponde exactamente ao perfil que desejo. Mesmo assim quis fazer um Life Preview. Duvido que a melhor opção seja a univida e tenho quase a certeza que este CC é o ideal. O MMQ-v não falha. É um algoritmo testado até à exaustão que só deu problemas nos primeiros 10 anos de implementação devido aos critérios de certificação que estavam a ser utilizados. Entretanto são já mais de 100 anos de aplicação e nos últimos 30 anos não houve sequer necessidade de fazer actualizações. Por um lado a procura de CCs desceu vertiginosamente e por outro o nível de exigência era já tão elevado que não abria qualquer espaço para a inadequação.

Vou fazer o Life Preview para “espreitar” onde vão ser as nossas primeiras férias holográficas e para ver se vamos fazer uma boa escolha de material genético. Só por isto, que não está ao alcance de nenhuma das minhas convirtas vale a pena pagar o montante que pedem para uma sessão resumida.





o serviço

18 05 2009

Tenho imenso serviço.

No meu serviço há quem trabalhe muito e quem não faça nada.

Passei o serviço a uma colega porque estive de baixa durante uma semana.

Bonita expressão esta do “serviço” usada pelos funcionários públicos para descrever o seu trabalho, as suas tarefas, a sua colmeiazinha. Coisinha ainda meio estado-novo, provavelmente, no tempo em que ser funcionário público era servir o estado e o povinho.





cuíqué flores

18 05 2009

Apanhei num zapping o programa “dia seguinte” da SicN.

Estava um dos palonços presentes – que suponho serem todos representantes intelectuais dos vários clubes de futebol – a chamar o Quique Flores de “Cuíqué”, ao que o representante intelectual do Benfica lhe pergunta «porque é que lhe está a chamar “Cuíqué” e não “Quique”?». Resposta do palonço: porque em português um “quê de haste” (isto deve ser um quê de nove à moda do porto) e um “ui” se lê “cuí”, e porque ele não tem de saber falar espanhol.

Pois claro. Como em a “cuímera do ouro” ou um “cuílo” de batatas, ou ainda um “cuísto” no rabo.

É por isto que vale a pena não gostar de futebol.





IRS antropocêntrico

14 05 2009

Acabei de submeter a declaração de IRS. Fico fula por não poder deduzir nem uma despesazinha de manutenção dos meus 5 gatos, 1 cão, e 1 hamster siberiano. Fico mesmo fula. Nem de saúde. Nem de vacinação. Nada.








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